Entre o rolo que entra e a peça que sai perdiam-se metros. Ninguém sabia onde — e aquilo que não se mede acaba sempre com o mesmo nome: erro humano.
O ponto de partida
Stocks, compras e apoio à venda eram tratados à mão. A perda de material existia e era conhecida — aparecia no fim, como diferença entre o que devia ter dado e o que deu.
O que não existia era sítio. Sem contagem ao longo do circuito, a explicação possível era sempre a mesma: alguém se enganou. É uma explicação que não se pode corrigir, porque não aponta para lado nenhum.
O que foi construído
- Agente de stocksAcompanha entradas, consumos e saídas — não um inventário mensal, um número que existe a cada momento.
- ComprasPedidos preparados a partir do consumo real em vez da estimativa da ficha técnica.
- Apoio à vendaO que há, onde está e quanto falta, disponível a quem está a falar com o cliente.
- Contagem ao longo do circuitoDo rolo à ordem de fabrico ao corte. O mesmo material contado nos vários pontos em que passa.
A decisão de desenho que importa: o sistema não decide. Conta em cada passo e assinala quando o número foge do esperado. Mudar a ficha técnica, trocar de fornecedor ou parar um corte continua a ser decisão de quem está lá — e agora com um número à frente.
O que apareceu quando se passou a contar
- Ordens de fabrico a consumir acima do previstoA OF puxa mais metros do que a ficha diz. Passou a ser visível enquanto acontece, não no fecho do mês.
- Rolos com menos metragem do que a etiqueta declaraDe um fornecedor em concreto. A diferença entre o que vinha escrito e o que se media à entrada.
- Cortes que correm malAcontecem em qualquer fábrica. A mudança é saber quantos, onde, e quanto material levam.
O segundo foi o que mais surpreendeu, e é o que torna este caso diferente dos outros dois. A perda que se atribuía à fábrica começava antes dela: entrava pela porta.
Nenhuma formação interna teria encontrado isto. Só se encontra medindo à entrada e à saída dentro do mesmo sistema — e é por isso que a contagem vale mais do que a automação em si.
Onde está hoje
A perda deixou de ser "erro humano" e passou a ter causa, sítio e número. Cada uma das três origens é agora um problema separado, com dono e com decisão possível.
Num dos pontos medidos foi identificado um desvio de 1,8%. A medição continua em curso; atualizaremos o caso quando existir uma comparação fechada.
O que ainda não sabemos
Ainda não há um total de material recuperado nem uma comparação fechada com o ano anterior.




